
Jefersson Santana Brito, natural de Aracaju, Sergipe, é formado em Biologia com especialização em Anatomia Humana e atua como técnico em Anatomia e Necropsia. Ele ingressou na Universidade Federal de Sergipe (UFS) em 2013, no campus de Lagarto, e em 2014 foi transferido para o campus de São Cristóvão, onde começou a trabalhar no Departamento de Medicina Veterinária. Inicialmente, Jefersson trabalharia apenas com animais domésticos, mas, ao longo do tempo, passou a se envolver também com animais silvestres. Ele e seus colegas tinham um objetivo em comum: trazer inovação para o departamento de Medicina Veterinária e causar um impacto positivo tanto dentro da UFS quanto na comunidade externa. Especialista em Anatomia Humana, Jefersson adaptou suas habilidades à anatomia animal, desenvolvendo uma verdadeira paixão por essa área, dada a enorme diversidade de espécies com as quais passou a trabalhar. Entre 2014 e 2024, Jefersson, juntamente com técnicos, professores e outros profissionais, contribuiu para a evolução de projetos que impactaram positivamente o laboratório. No início, utilizavam o formol, uma substância tradicional, mas que causava muitos desconfortos, como náuseas e irritações. Buscando alternativas, eles começaram a explorar a técnica da glicerinização, que já existia, mas foi implementada com sucesso no Departamento de Medicina Veterinária. Essa inovação não só melhorou a qualidade das aulas práticas, proporcionando mais conforto aos alunos, como também contribuiu para a preservação das peças anatômicas.

Com o tempo, o processo foi aperfeiçoado, combinando glicerina com álcool, o que trouxe vantagens significativas: as peças se mantinham hidratadas e o odor desagradável do formol foi reduzido. Esse avanço foi tão importante que deu origem à ideia de criar um museu de peças anatômicas, que se transformou em um projeto de extensão da universidade. Hoje, o Museu de Anatomia, localizado no Departamento de Medicina Veterinária, é amplamente visitado por escolas públicas e particulares, exibindo uma grande variedade de espécies, desde aves até ruminantes de grande porte, tudo cuidadosamente montado de forma artística.

O museu, além de ser uma ferramenta educacional, também possui um valor sentimental. Jefersson lembra de histórias marcantes, como a de Ellen Texeira de Medeiros, uma aluna de Agronomia que amava profundamente sua égua. Quando o animal veio a óbito em sua propriedade em Porto da Folha, Ellen decidiu doá-lo ao museu. Após um processo cuidadoso de preservação, a égua agora faz parte do acervo, continuando a contribuir para o aprendizado dos alunos, assim como fez na vida de Ellen.

Conversamos com Ellen Texeira de Medeiros, 22 anos, nascida em Aracaju, mas que viveu toda sua vida em Porto da Folha. Atualmente, ela está cursando Engenharia Agronômica no 9° período na UFS. Ellen explicou que, no curso de Engenharia Agronômica, a disciplina de anatomia e fisiologia dos animais domésticos é obrigatória. No início das aulas, o professor informou que, ao final do período, os alunos deveriam entregar um trabalho sobre a montagem de um esqueleto ou de sistemas diversos de animais.

Durante o período, Ellen perdeu sua égua e, em uma conversa com seus pais, eles sugeriram doar os ossos do animal à universidade para que ele fosse eternizado. Ellen relata: "É sempre emocionante. É como dividir parte da minha vida. Um animal tão querido agora eternizado, sendo objeto de estudo e interesse de diversas pessoas que passam pelo museu." Ela participou de todo o processo de montagem, desde a busca pelos ossos, lavagem, secagem, raspagem, montagem das peças até a pintura.

Ellen descreve a experiência como gratificante. Além do aprendizado acadêmico sobre a anatomia dos animais, ela aprendeu a respeitar os seres ao seu redor. "Não senti tristeza durante o processo, apenas a gratificação por estar fazendo parte de todo o ciclo e por poder compartilhar com as pessoas uma pequena parte da história," conclui Ellen.


Outro aspecto que Jefersson destaca é a economia gerada pelo trabalho realizado no museu. Ao contrário de muitas universidades que compram peças anatômicas, a UFS produz suas próprias peças, transformando-as em patrimônio da instituição. Ele agradece as parcerias que tornam isso possível, como o apoio da Prefeitura da Universidade, que oferece serviços de marcenaria e serralheria, essenciais para a montagem das peças. Atualmente, Jefersson está desenvolvendo uma técnica inovadora em seu projeto de mestrado, que promete ser um grande avanço para disciplinas práticas, como a técnica cirúrgica, na Medicina Veterinária. Essa nova técnica, que ainda está em fase de testes, visa preservar cadáveres de maneira mais eficiente, permitindo que sejam reutilizados em várias aulas, sem os problemas associados ao uso do formol. Além disso, essa técnica promete manter a coloração e a textura dos tecidos mais próximas da realidade, proporcionando aos alunos uma experiência de aprendizado ainda mais rica e realista. O Museu de Anatomia do Departamento de Medicina Veterinária da UFS não é apenas um espaço de estudo, mas também um local de memória e homenagem, onde tutores que doaram seus animais podem vê-los preservados de forma realista, contribuindo tanto para a educação quanto para a preservação de memórias afetivas.

A doação de animais após o falecimento não apenas enriquece o acervo do Museu de Anatomia da UFS, mas também oferece uma oportunidade única para perpetuar o aprendizado e a memória dos animais. Este gesto de generosidade tem um impacto significativo, pois permite que esses animais continuem a contribuir para a educação e a ciência, ajudando a formar futuros profissionais e a preservar a história dos mesmos. Cada doação é uma forma de homenagear a vida dos animais, transformando a perda em um legado educativo e afetivo. Convidamos toda a comunidade a conhecer o Museu de Anatomia, um espaço que celebra tanto a ciência quanto a memória afetiva dos animais. A visita ao museu oferece uma chance para ver de perto o trabalho desenvolvido, aprender sobre a diversidade de espécies e entender a importância de cada doação.
MATÉRIA: MARÍLIA GABRIELY NUNES MENESES - ASCOM/CCAA


